São Paulo em Imagens

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cenas inusitadas

No centro de São Paulo, não é incomum vermos cenas inusitadas como as que estão registradas nas fotos abaixo.

Esta primeira foi feita no dia 12 de fevereiro. O dia estava bastante quente, insuportável mesmo. Percebendo que o vento que saia pela grade de ventilação do metrô era fresco e agradável, o morador de rua improvisou a sua própria versão de ar-condicionado:

Esta segunda, já foi feita hoje. Apesar de inusitada, esta já é uma cena intencional, o "banhista" estava sendo filmado e dirigido. A equipe de produção era formada por de cerca de dez pessoas, entre ele, diretor, cameramen e pessoal de apoio:

De qualquer maneira, são situações que não são usuais de serem encontradas na maioria das cidades. Mas que acontecem em São Paulo.

 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Festa

Não foi a festa de lançamento do blog, claro. Na verdade, o lançamento do blog pode ser considerado parte desta festa, já que a data do aniversário da cidade foi proposital.

Circulei um pouco pelos dois eventos, Anhangabaú, pela manhã e à tarde (fui à tarde), e o show na Avenida Ipiranga, em frente à Praça da Rapública, que começou por volta das 17hs e foi até quase as 23hs. Neste eu estive mais pelo final, mas pude escutar o show todo do meu apartamento.

Quando é para bater, a gente bate, então, se as coisas funcionam, devemos elogiar, também, é claro! E eu tenho de parabenizar a organização dos dois eventos. Tudo o que eu vi esteve perfeito. Havia segurança ostensiva (Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e segurança privada), postos médicos espalhados por todos os lados, uma boa quantidade de sanitários químicos e muita tranquilidade. Deu para circular, aproveitar, fotografar, curtir...

Os únicos senões que eu acrescentaria foram o tobogã, que deu uma certa sensação de fragilidade, mas ficou na sensação, já que não foi registrado qualquer incidente, e a balada que, ao menos quando eu passei por lá, estava vazia e completamente desanimada, como vai poder ser visto na foto.

De qualquer maneira, foi gostoso de ver, foi divertido estar lá. E ouvir o Paulo Miklos cantando Ronda foi, na minha opinião o ponto alto da festa.

E estar alí, o melhor de tudo.

Parabéns, São Paulo!

 

 

Nasce (oficialmente) o projeto!

São Paulo é uma cidade sem muito meios-termos. Ou a pessoa se apaixona por ela, ou a detesta. Especialmente quem, como eu, como muitos que moramos aqui, vem de fora.
Arrisco-me a dizer que quem nasceu aqui não consegue compreender a letra de "Sampa", que ilustra este post, com a mesma profundidade que quem vem "de outro sonho feliz de cidade e aprende depressa a chamar-te de realidade".

Há muito tempo eu venho acalentando a ideia de um blog falando de São Paulo, de seus tipos, de seus lugares, de suas histórias, de seus personagens... Um blog que possa dar sugestões de eventos, comida, passeio, e outras tantas coisas que a cidade oferece. E hoje nasce o projeto.

Ele nasce já com alguns posts. Não foram escritos hoje, claro, mas levam a data de hoje, por ser o dia que vêm a público. Exceto o primeiro, um texto do Adelson, que leva sua data original, de um ano atrás. Ainda que pudesse ter sido escrito hoje, ou sempre.

Também nasce individual, mas a ideia é que seja coletivo, e para tanto já convidei o Adelson Campos e o Toninho Moura como meus primeiros parceiros. Afinal, a cidade é coletiva, tem mil caras e milhões de corações. Uma única pessoa a falar sobre ela, um único ponto de vista, seria injusto.
Sejam todos bem-vindos, boa leitura, boa diversão e, espero, que o blog possa ajudar cada um a amar um pouco mais esta louca, porém acolhedora, cidade.



O Louco

Eu saia da praça da República e entrava na Barão de Itapetininga. Ao longe, um barulho de algo batendo em objeto metálico. Não dei importância imediata, mas a funcionária da loja de celulares, ao lado de quem eu passava gritou “Ei” e um nome, que não gravei.

Comecei mesmo a prestar atenção, foi a partir da reação dele, que gritou para ela de volta, um “Oi”, tendo como resposta, também gritada, um “hoje cê tá legal, hem?”

Ele voltou a olhar para ela, não disse mais nada. Correu até uma caçamba metálica para entulho e bateu violentamente nela, com alguma coisa que tinha na mão, fazendo novamente o barulho que eu ouvira. A esta altura, eu já estava mais próximo dele.

A ação seguinte foi tirar parcialmente a camiseta que vestia, despindo um dos braços e o peito, deixando-a presa no outro braço e no pescoço.

Abriu os braços como se fossem as asas de um avião. E, rindo alto, fazendo barulho, começou a correr. Passava propositalmente perto das pessoas que caminhavam, distraídas, assustando-as ao desviar-se delas no último segundo. Passou correndo ao lado das araras de uma loja de roupas, não derrubando tudo por muito pouco.

Virou a esquina da rua Marconi, desaparecendo de minha vista, ainda rindo alto e fazendo barulho. Vivendo ao seu modo. Não sei dizer se feliz ou infeliz, mas aparentando não se importar tanto com o mundo “real” que o cerca.

Mesma pintura, dois momentos distintos

Por ocasião da Copa de Futebol da África do Sul, a Prefeitura autorizou ao artista plástico Kobra a realizar uma intervenção na Praça do Patriarca, uma "Pintura em 3D" alusiva ao evento.
Tive a possibilidade de registrar a obra na data de sua inauguração, no dia 30/06/2010. As fotos aqui registradas foram feitas com a câmera do meu celular, que não é lá grande coisa.



Menos de um mês após o término do torneio, ao que tudo indica o desânimo por conta da desclassificação do time brasileiro atingiu também a homenagem, como demonstra a próxima foto, registrada em 31/07/2010, apenas um mês após a inauguração:



Uma pena, na minha opinião. Embora eu não seja a pessoa mais preocupada do mundo com futebol e seus torneios, achei a pintura muito interessante, e uma pena que tenha se degradado tão rapidamente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São Paulo - Terra Minha

Recebi este texto do Adelson, em 25/12/2010 por ocasião do aniversário da cidade. Com a autorização dele, publico-o aqui, pois é um texto que faz-se sentir por qualquer pessoa que tenha adotado esta cidade como sua cidade de coração. Mantive a data original, por coerência.

Queridos
São Paulo poderia ser descrita como difícil, inóspita, encrenqueira, suja, feia, enfim um tanto de adjetivos, na sua maioria "denegrindo" a sua imagem, mas sabe de uma coisa, isto tudo aí pode até ser verdade, mas não esconde o encanto de se conquistar uma terra como essa, afinal difícil é a vida monótona de uma cidade sem atrativos e aqui nós temos muitos, desde museus fantásticos a teatros com todo tipo de peças ou salas de concertos de dar inveja em qualquer cidade de primeiro mundo; restaurantes de todos os tipos e gostos; ótimos hospitais; universidades; escolas, exceto as públicas que, como no resto do país, estão cada vêz piores por negligência e incompetência de políticos; sem praia ? mas praia de paulistano são os parques ou os muitos e muitos shoppings, praia mesmo, à beira mar, deixa-se para as férias, assim serão melhor curtidas. Inóspita talvez, difícil é a convivência humana seja em qualquer lugar deste planeta, então aqui não é mais complicado do que em qualquer outro lugar, só que tem mais possibilidades de alguém se dar bem, são 12 milhões.
Cada cidade tem sua "encrenca", aqui poderia dizer que existem várias, as ruas entupidas de carros, o metrô saturado, os ônibus idem, os alagamentos constantes, mas aonde não se tem engarrafamento hoje em dia ? Até em cidade pequena acontece. Ou alagamentos, hoje mais comum que dupla sertaneja, e temos metrô e ônibus saturados, isto mais que qualquer coisa precisa ser melhorado, será, acredito, a única forma de reverter o quadro de caos urbano a que somos submetidos, maior oferta de linhas de metrô e de linhas/corredores de ônibus tirariam muitos carros das ruas, inclusive o meu, livrando espaço para ser ocupado pelo verde, já imaginaram as ruas e avenidas apinhadas de azaléias, quaresmeiras, paus-ferros etc colorindo e enfeitando os nossos olhos e ajudando na drenagem das chuvas ?
Suja com certeza, desde o papelzinho de bala jogado ao acaso nas ruas até os móveis não mais desejados, ou carros abandonados, ou sacos de lixo revirados, ou fachadas sem pintura, ou falta de garis nas ruas... enfim encontramos causas e causas, mas  nada tira a responsabilidade nossa como cidadãos, nós é que precisamos dar o exemplo, por que jogar o papel de bala, ou a lata de refrigerante, ou a garrafinha de água na rua ? Dá o mesmo trabalho jogar na rua e jogar numa lixeira, não é mesmo ? Mas isto não é exclusividade de São Paulo, aonde se vai neste país encontramos lixo por todo lado, será que é cultural ou educacional ? Fica aqui a questão.
Feia ? Ah ! Depende dos olhos e de como olhar, como beleza natural, reconheço, não tem nenhuma, mas como beleza construída, isto são outros quinhentos, tem o seu valor, senão vejamos, a Av. Paulista com seu conjunto de prédios criando um "skyline" impar, assim como o dos novos prédios na Marginal Pinheiros; as obras de Ramos de Azevedo, Niemeyer, Artacho Jurado, Rino Levi etc e outros tantos anônimos ou conhecidos espalhados pelas mais diferentes regiões da cidade, criando um mosaico de tendências e vertentes que faz única a nossa arquitetura, desde um barraco encarapitado numa favela até um prédio neo-clássico de gosto duvidoso para uns e bom gosto para outros dos Jardins; a obras de  engenharia/arquitetura moderna como a nova ponte estaiada, ou "modernoso" de arquitetos mais conhecidos pelas extravagâncias de suas criações do que sua funcionalidade; de obras dos tempos coloniais, da virada dos séculos XVIV e XX, do art decó ou nouveau, moderno das décadas de 1930/40/50, do neo-colonial da década de 1970, do "novo-riquismo" espelhado das duas últimas décadas; os detalhes e influências de diferentes origens trazidos pelos muitos imigrantes sejam portuguêses, italianos, japonêses, árabes e outros, assim como a cultura importada principalmente da França e dos EUA, contribuíram para essa diversidade. Como olhar indiferente para a Pinacoteca, a Estação da Luz, o Teatro Municipal, o CCBB ou o Mercadão, assim como para o Copan, o Grandes Galerias, o MASP ou um tanto de prédios da região da Berrini ? Diversas arquiteturas, diversas épocas, diversos olhares.
Sou de Cachoeiro de Itapemirim, modéstia à parte e com muita honra, não tenho como tirar isto de mim, nem quero; sou carioca de alma, tenho Alton nos EUA em minhas memórias e coração, assim como Buenos Aires; Paris e Florença em meus sonhos(ainda irei lá), mas é aqui que moro, que escolhi para viver em meio a todo êste caos, com gente indo e vindo a toda hora do dia ou noite, sinto-me cada vêz mais parte desta terra, múltipla, confusa, efervescente e contagiante, aqui é como dizia um slogan da década de 1970 : "Ame-a ou deixe-a", quem aqui aporta e a deixa entranhar-se não sai mais, não consegue tirá-la de si. Hoje tenho certeza de uma coisa, não sou paulistano de berço, mas sou paulistano de vida.
Feliz Aniversário São Paulo !
Segue daqui as minhas felicitações para esta "mãe de muitas tetas" que me acolheu há 26 anos e a quem agradeço por tudo que me deu e ensinou.
Beijos e abraços,
Adelson